“Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido. Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais é uma grande idéia. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.” (Douglas Adams – O Guia do Mochileiro das Galáxias).

Toquei levemente aquelas odiadas sardas e suspirei, meu amor “incondicional” se dissolveu no branco. Exatamente como um cubinho de açúcar ao cair no leite enquanto um espinho suavemente enterrado em meu peito estocava ainda mais fundo e mais fundo e machucou bem mais que antes. Nem a astrologia pôde previr isso, nem meu desejo de poder ter ido mais longe juntos. Isso seria maravilhoso o suficiente para…

Lembranças são sempre lindas, mas apenas disso não se pode viver. Hoje não deveria ser realmente uma noite triste, mas por quê? Na verdade, não consigo lembrar-me de um sorriso.


Eu não entendo por que dar um tempo e então voltar. Esta não é minha personalidade. Sentimento, impaciência e incerteza, quais são ainda aptos a amar? Coloquei um piercing na orelha esquerda e fiz uma tattoo pra poder esquecer um episódio do qual não consigo sequer sorrir.

Contando a quantidade de sardas, as marcas do rosto e tudo mais o espinho perfurando meu peito não desaparece. Nem mesmo o sapo e o coelho na tv, sorrindo me confortam.

Lembranças são sempre lindas, mas apenas disso não se pode viver. Foi uma noite realmente ruim e ainda assim, me pergunto por quê? Por que só consigo me lembrar das lágrimas? Só consigo me lembrar, Por que daquelas lágrimas?

Você e eu, o tolo! Você e eu.