“Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido. Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais é uma grande idéia. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.” (Douglas Adams – O Guia do Mochileiro das Galáxias).
Na sexta-feira, perdemos um grande amigo. Infelizmente não tenho palavras pra descrever aqui a tristeza e a dor que todos que gostavam dele está sentindo nesse momento.
Hoje recebi um e-mail de uma colega de profissão que trabalhava lado a lado com ele e nada melhor que publicá-la aqui – com os devidos créditos – acrescentando ao fim uma poesia contemporânea transformada em música em homenagem ao Grande amigo!
Por quê?
- Mas como um filho de flamenguista vira fluminense?
- Ah, foi minha mãe. Um dia, quando eu era pequeno, ela me levou ao estádio pra ver um jogo do Fluminense, sem ninguém saber. Ali, eu virei fluminense.
Nessa conversa, entre um ajuste e outro de um folder, fiquei sabendo como o carioca/cuiabano, virou torcedor do time arqui-inimigo do time do pai. Essa era mais uma fagulha do grande universo de histórias que formaram o caráter honesto, o temperamento tranquilo, o falar calmo, a forma obstinada, e algumas vezes, confesso, irritante de defender os pontos de vista em que acreditava.
O judoca que competia oficialmente, cartunista – segundo ele mesmo dizia – aposentado, cinéfilo que adorava acessar o Omelete, o publicitário de bom gosto, o fruto de um flamenguista e uma fluminense, teve seu universo interrompido, sua história estranhamente encerrada por uma coisa que definitivamente não combinava com sua pessoa, a violência.
Essa violência barata. Custou um notebook.
Essa violência sem hora, nem lugar. Às sete da noite em uma sorveteria.
Essa violência sem punição. Mais um criminoso reicidente.
Mais um plano desfeito. Ele ia a pra casa, mais tarde.
Mais uma perda. Sua mãe e seu pai estão órfãos de um filho que foi acalentado, que eles com muito orgulho ensinaram a andar, a falar, a ser honesto, a ser amigo.
Seus amigos e colegas ficaram perplexos, com medo e assim, se perguntando por quê? Quem vai saber dizer? Porque ainda não mataram jovens suficientes? Porque a violência ainda não atingiu o cúmulo suficiente para darmos um basta? Porque ela ainda não chegou perto suficiente de todas as pessoas que precisam se mobilizar e exigir dos seus eleitos ações mais concretas do que as promessas?
Bela sede da copa esse Mato Grosso. Bela sede da copa esse Brasil. Imaginem quanto orgulho sentiremos do país do futebol, do país do carnaval, do país da desigualdade social, do país da impunidade, do país do desrespeito aos direitos humanos.
Imaginem só, quantas belas notícias de assassinatos de torcedores, brasileiros e turistas teremos no evento? Eu já sei que serão muitas. Porque já sei, infelizmente, que nesse país a vida não está em primeiro lugar.
Márcia Pedralino
Sem muitas delongas segue minha homenagem que se reflete nessa música:
Cleiton, Cleitox, TOX, Bubba, Negão… Você está vivo em nossos corações!
Você e Nós, Cleiton! Você e nós!
[...]
E agora? A dor é do tamanho de um prédio
A casa sem ele vai ser um tédio
Não tem remédio, não tem explicação, não tem volta
Os amigos não aceitam, o irmão se revolta
A família não acredita no que aconteceu
Ninguém consegue entender porque o garoto morreu
Tiraram da gente um jovem tão inocente
E a sua avó que era crente hoje tem raiva de Deus
O seu pai ficou mais velho, mais sério e mais triste
E a mãe simplesmente não resiste
Além do filho, perdeu o seu amor pela vida
E a nora agora tem tendências suicidas
E a namoradinha com quem sonhava se casar
Todo mundo toda hora tem vontade de chorar
Quando se lembra dos planos que o garoto fazia…
Ele dizia: “Eu quero ser alguém um dia”
Sonhava com o futuro desde menino
Ninguém podia imaginar o seu destino
Mais uma vítima de um mundo violento…
Se Deus é justo, então quem fez o julgamento?
[...]
Junho 1, 2009 at 11:54 pm
[...] Vi aqui Um ponto de saudade [...]
Junho 2, 2009 at 9:35 am
Realmente, é como o Elton falou, um grande talento desperdiçado.
Junho 2, 2009 at 9:40 am
É verdade… o mais difícil é chegar aqui no trabalho e ver que ele não mais vais estar no msn me enchendo o saco, pedindo alguma logo ou uma ajuda numa fonte.
Mas sabemos que ele com certeza está num bom lugar!