the_jewel_by_dvd

Por mais que o universo seja imenso, muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido. Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais é uma grande idéia. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.

Pois bem, certo tempo depois da “patada”, a escola entrou num recesso forçado, como o Peregrino era ‘escraviário’ da escola ficou por lá trabalhando voluntariamente, verdade, não recebia nada a não ser reclamação dos professores e alunos dizendo que os computadores não funcionavam. E certo dia, mais exatamente no dia 4 de julho, uma terça feira, ela, a Linda Baixinha apareceu sem avisos, e estava deslumbrante, linda, vestida como uma deusa a ser idolatrada, nunca em todo esse tempo em que o Peregrino a conhecia, a tinha visto usando roupas comuns, nada além do uniforme da escola e, vendo-a daquele jeito ele a desejou mais que tudo e decidiu que ali, aquele momento seria deles e nada, realmente nada poderia tirar essa chance deles.

Ela o viu saindo do laboratório de informática onde terminara seu serviço e se dirigia ao laboratório seguinte, carregava um gabinete para ser consertado, quando a viu se aproximando, largou o gabinete no chão e correu em sua direção. Aquela era a hora certa, o momento certo. Os dois se abraçaram bem forte e não queria mais largar um do outro. Seus olhos se encontraram. Aquela manhã seria eterna, inesquecível. Eles estavam destinados naquele momento ao fogo que os consumiam toda a vez que se encontravam. Estavam dispostos a ir até o fim. A respiração de ambos acelerou e sem desviar o olhar o Peregrino aproximava cada vez mais sua boca dos lindos lábios da Linda Baixinha. Estava chegando o momento que selaria de vez o destino deles, mais uma vez. Nada faria aquele momento se perder, exatamente nada.

Nada, uma palavra que a Vida (sim, essa mesma) não conhece e colocou algo para tirar aquela oportunidade do Peregrino e da Linda Baixinha! Não exatamente algo, mas, alguém conhecido como “Repolho” para não deixar com que eles dois se entregassem aos seus sentimentos. Um cara, totalmente sem noção da situação entrou no meio do abraço e tirando a Linda Baixinha dos braços do Peregrino. Chamando-a pelo apelido que ela odiava, ele a agarrou com suas mãos sulfuradas, o Peregrino, reconhecendo ali mais uma derrota, se vira e volta ao contato frio do gabinete abandonado no chão. Abre a porta do laboratório com uma das chaves do grande molho que carregava e adentra para sua fortaleza da solidão. Com os olhos marejados entra em um estado de autoflagelação mental e reflete o quão idiota e lerdo foi naquele instante. Como seriam seus dias após esse trágico fato? Teria ele mais uma chance com a Linda Baixinha? Estava determinado a continuar a conquistá-la? Eram tantas perguntas em sua tão nova mente adolescente, seu caminho ainda longo e longe de terminar.

Levantou a cabeça, enxugou os olhos antes mesmo das lágrimas escaparem e pensou que o seu caminho estava apenas iniciando. Novas oportunidades viriam e com certeza ele não deixaria mais escapar, começava ali seu destino de peregrinação, foi ali que ele se tornou apenas um Peregrino.

 

 

[...]

Através das marcas das suas roupas

Foi arrumada de maneira tímida

Eu sabia que algo estava errado

E eu devia ter falado

Estou tão arrependido agora

Eu não sabia

Porque éramos muito jovens


Oh, nuvens do tempo

Parecem chover na

Inocência deixada para trás

E ela nunca vai embora

[...]

 

Você e Eu, Senhor. Você e Eu!