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“Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido. Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais é uma grande idéia. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.”

As poucas pessoas que me conhecem pessoalmente sabem que tenho um gosto particular e diferente para um descendente de italianos, a cultura nipônica me fascina desde muito pequenino! Samurais, ninjas, sushi, katanas, shurikens, mangás, animes e etc. Mas, vocês devem estar perguntando: “O Peregrino, o que eu a tenho a ver com isso?”. Jovens peregrinos, vocês não tem anda a ver mesmo, é só uma pequena introdução para o novo post sobre uma de minhas paixões, logo após mulher, cerveja e games, a Cultura Japonesa.

Hoje falarei um pouco sobre os samurais, com informações obtidas na aula especial do Sensei Eduardo Luna  - professor de Kendo e presidente da ACK – Associação Cuiabá de Kendo  - que ele ministrou na UNIC no dia 04/11/2008. E algumas informações que garimpei em livros e internet.

Falarei hoje dos Samurais.

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A palavra Samurai vem do verbo Saburai que significa “aquele que Server ao senhor”. Os samurais, como classe de status, dominaram por cerca de 700 anos a história do Japão. Os samurais exerceram diferentes funções em determinadas épocas, passando de duelistas à soldados de infantaria da corte imperial.

Inicialmente, os samurais realizavam atividades minoritárias muitos como cobradores de impostos e servidores da corte imperial. Com o passar do tempo, o termo samurai foi sancionado e os primeiros registros, datado do século 10, situando-os ainda como guardiões da corte imperial, em Kyoto e como membros de milícias particulares a mando dos Daimyo, os senhores feudais. Nessa época, qualquer cidadão poderia tornar-se um samurai. Este cidadão por sua vez, teria que se engajar nas artes militares para então, por fim, ser contratado por um senhor feudal ou daimyo, mas enquanto isso não acontecia, esses samurais, eram chamados de ronin.

Na Era Tokugawa por volta de 1603, quando os samurais passaram a constituir a mais alta classe social (bushi), não era mais possível a um cidadão comum, tornar-se samurai, pois o título tomou por ser passado de geração em geração. Só um filho de samurai poderia tornar-se samurai e este tinha direito a um sobrenome. Desde o surgimento dos samurais, só estes tinham direito a um sobrenome, mas com a ascensão dos samurais como uma elite guerreira sob os auspícios da corte imperial, todos os cidadãos passaram a ter um sobrenome.

Desta época em diante, a posição do samurai consolidou-se como um grupo seleto da sociedade. Armas e armaduras que usavam eram símbolos de sua distinção e a manifestação de ser um samurai, mas para armar um samurai era necessário mais que uma espada e uma armadura. Parte de seu equipamento, era psicológico e moral, eram regidos por um código de honra muito precioso, o bushido (o “caminho do guerreiro”), no qual a honra, lealdade e coragem eram os princípios básicos. A espada era considerada a alma do samurai. Todo samurais, portava duas espadas presas ao Obi (faixa que segura o quimono), o katana (espada longa – de 60 a 90 cm de lâmina) e wakisashi (de 30 a 60 cm), essas espadas eram o distintivo do samurai.

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Por não temerem a morte, pois os samurais a considerava uma conseqüência normal, morrer com honra defendendo seu senhor, ou defendendo a própria reputação e o nome de seus ancestrais. Se viessem a falhar ou cometessem um ato de desonra para si próprio, manchando o nome de seu senhor ou familiares, o samurai era ensinado a cometer o Harakiri ou Seppuku, ritual de suicídio através do corte do ventre. Já matar fazia parte de suas obrigações.

Alguns senhores feudais, caso morressem por incapacidade de seu samurai o defendê-lo este, era instruído a praticar o harakiri. Entretanto, se a morte do Daymio não estivesse relacionada à ineficiência ou falta de caráter do samurai, este se tornava um ronin, um samurai sem um senhor para servir, um desempregado. Muitos destes samurais não conseguindo ser contratado por outro senhor e não tendo quem provesse seu sustento, freqüentemente tinha que vender sua espada para poder sobreviver ou se entregar ao bandidismo.

Nos campos de batalha assim como em duelos, os combatentes enfrentavam-se como verdadeiros cavalheiros. Na batalha, um guerreiro costumava galopar até a linha de frente inimiga para anunciar sua ascendência, uma lista de feitos pessoais, bem como as façanhas do seu exército ou de seu clã. Depois de encerrada tais bravatas é que os guerreiros atacavam-se. O mesmo acontecia num duelo. Antes de entrar em combate, os samurais se apresentavam, reverenciavam seus antepassados e enumeravam seus feitos heróicos para depois entrarem em combate.

Os generais samurais praticavam caligrafia, arranjos florais e tocavam uma espécie de alaúde. Mas de todas essas atividades, a que mais os envolviam era a cerimônia do chá. Por volta do século XIII, monges zen-budistas introduziram os rituais do chá no Japão. A cerimônia do chá é uma atividade espiritual e durante o raro momento de trégua da guerra, os samurais vinham às salas de chá pra relaxar e apreciar o momento.

O estilo de vida e a tradição militar dos samurais dominaram a cultura japonesa durante séculos, e permanecem vivos no Japão até os dias de hoje. Milhões de crianças em idade escolar ainda praticam as habilidades clássicas do guerreiro, entre elas a esgrima (kendo), arco-e-flecha (kyudo) e luta corporal desarmada (jiu-jitsu, aikido). Estas e outras artes marciais, fazem parte do currículo de educação física no Japão atual.

Hoje o espírito samurai continua vivo na sociedade. E se dissemina através de pessoas que querem mostrar a arte nipônica como um caminho para o bem espiritual e corporal. Como o próprio Luna-Sensei disse: “o Caminho é sem fim, é pro resto da vida!”


あなたと私、だんな.  あなたと

Anatato watashi, danna. Anatato watashi.

Você e Eu, Senhor. Você e eu!